terça-feira, 30 de junho de 2009

Promoção do Blog

Olá a todas e a todos que nos visitam.

Confiram aí o recadinho do meu amigo Seu Libório.

Será que você ganhará?


PROMOÇÃO



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Então tá dado o recado.



ATENÇÃO

Pessoal, para esclarecimentos, gostaria de avisar-vos que, para poder ser democrático e deixar que mais pessoas possam participar, estipulo que a finalização dessa promoção acontecerá nesta quarta (01 de julho) em algum momento, quando o ponteiro grande estiver na casa do número 12 e o pequeno estiver chegando no 8. (Aqui ou no Japão...)

Eu havia pensado em finalizar essa promoção a meia noite do dia 30 de junho, porém, como quis fazer uma massiva (e quase infinita) divulgação, por e-mails e orkut, varei a madrugada sem ter terminado, então gente, vamos comentar.

(Louvo o esforço dos meus amigos Marcos Pinheiro e , que estão num plantão da mulésta... Avante... quem sabe você não ganha, querida P.)

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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Apresentando Alguns d'U Bando


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Primeira Tirinha d'U Bando

Olá a tod@s...

Estou eu mais uma vez aqui vos saudando e oferecendo um café bem cheirozinho, ao entrarem nessa casinha que é de vocês.

Dessa vez, gostaria de apresentar-vos a primeira tirinha (espero que) de uma série de outras que chamarei de "U BANDO". Uma invencionice doida. Um bando de personagens interessantes... (bicho, gente, tem de tudo...)

Nas tiras, surgirão alguns personagens conhecidos (e novos) das Conversas do Sertão e a temática é isso mesmo. "Sertão das muié séria e dos homi trabaiadô"...

Espero que gostem da ideia.

"falando em ideia, aceito de bom grado as sugestões de histórias para as tirinhas dentro do tema."


Saudações virtuais e fiquem com "U Bando", tirinha número UM... A primeirona...

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sábado, 20 de junho de 2009

Casamento de Licor



Olá a todos vocês quem vêm visitar essa casinha, no meio do nada, para provar do cafezinho bom e para sentarem no tamborete e escutarem as histórias que só acontecem nesse cenário sertanejo.


Eu sou o Seu Libório, mas um visitante desse meu amigo dos sertões e, dando uma chegadinha por aqui nessa casinha, a prosa veio depressa. Moro num lugar chamado Cancela Marcada e, aqui e acolá, dou uma esticadinha até aqui, para ver como está esse meu amigo, o Sertanejo.

Sou contador de histórias e acho muito bom, quando consigo juntar meus amigos de conversa, para prosear. Também sou metido a versejador e gosto de criar umas poesiazinhas, para passar o tempo. Qualquer dia desses, faço uma poesia para mostrar a vocês.

Em Cancela Marcada, nos tempos pra trás, andaram passando muitos cangaceiros e isso gerou história que não acaba mais. Essa também é sobre cangaceiro. Uma história muito interessante, que quem me contou foi um amigo, que nos antigos, no tempo em que Lampião reinava, ele era um cangaceiro do seu bando.

Casamento de Licor
Meu amigo me contou que no dia 31 de julho, no ano de 1923, um sábado, iria acontecer o casamento de uma prima de Lampião, da cidade de Nazaré, Maria Licor Ferreira. Parece que Lampião tinha uma certa queda pela prima, e decidiu ir ao casamento, mesmo sem ser convidado. Naquele tempo, além da volante que perseguia os bandos de cangaceiros, também os Nazarenos viviam travando combates com Lampião e seu grupo. Com muita insistência do padre que iria realizar a cerimônia, Lampião e seu grupo resolvem a certa hora, deixar o lugar, mas como uma forma de vingar-se, arrebatou a sanfona da festa e advertiu:
_Hoje, aqui, não se dança.
Com a concertina do cantador na mão, o cangaceiro mais temido, Virgulino Lampião, levou também a alegria da festa, pois as pessoas foram privadas de um baile e tanto.
Meu amigo me conta que, de quando em quando, tanto ele quando outros bandidos, a mando de Lampião, iam no local do casamento, para certificarem-se de que as pessoas realmente não estavam dançando. Ele conta que, na manhã seguinte, Lampião convoca todo o grupo e decide voltar para a cidade. Ao entrarem em Nazaré, sendo questionados pelas pessoas do porquê de terem voltado, Lampião disse:
_Vim agora e não há quem me bote pra fora.
Mesmo sem saber, Lampião havia se livrado de duas emboscadas. Uma, no momento do casamento, em que os Nazarenos, ferrenhos perseguidores dos cangaceiros, planejavam assassiná-los, no momento em que os cangaceiros estivessem dançando no baile. Coisa que não aconteceu, pois Lampião, além de não ficar para o baile, também impediu que acontecesse a dança. Outra emboscada, que foi preparada pelos Nazarenos David Jurubeba, Pedro Gomes, e pelos irmãos Euclides, Manoel e Odilon Flor, também foi frustrada. Os Nazarenos haviam armado uma emboscada em um lugar que os cangaceiros iriam passar, mas chegaram atrasados e Lampião e seu bando já haviam passado.
Coisa interessante aconteceu depois, quando Lampião estava rumando para a capela de Nossa Senhora da Saúde. Um alvoroço de pessoas, na direção da estrada, denunciou a aproximação de uma volante. Os cangaceiros, vendo que a polícia chegava para guerrear, se entrincheiraram nas casas da cidade e arrocharam tiros contra os perseguidores. Meu amigo conta que, enquanto ele e os cangaceiros travavam a luta contra a polícia, eles debochavam demais de seus oponentes e o interessante é que, como se nada estivesse acontecendo, enquanto atiravam, os bandidos comiam dos pratos preparados para a festa do casamento, bebiam cerveja, tocavam sanfona e cantavam “Mulher Rendeira”. Imagina só que cena cômica...
No meio do combate entre a volante e os cangaceiros, os Nazarenos que tinham ido esperar a passagem do bando num local, ouvindo os tiros, perceberam que haviam chegado atrasados e foram, na tentativa de ajudarem a polícia. Chegaram logo atrás da volante e começaram a atirar contra os cangaceiros, mas essa ideia não foi muito boa não, pois a volante, sem saber de quem se tratava, começou a atirar contra os Nazarenos também.
Com muito custo, conseguiram avisar que se tratava de reforços e centraram os tiros contra os inimigos em comum, mas, como bom estrategista que era, Lampião, tendo decorridas duas horas de combate, decide bater em retirada. O grupo de cangaceiros, juntamente com seu líder, nada sofreu, naquele combate, mas o lado oposto caiu gente morta a dizer chega. Hoje, na história do cangaço, muita gente ainda guarda lembranças do dia do casamento inesquecível de Licor.


Seu Libório

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sexta-feira, 12 de junho de 2009

O Namoro de Papai mais Mamãe



O Namoro de Papai mais Mamãe

Queridos e queridas...
Hoje, dando chegadinha aqui pela casinha da roça do meu amigo, me lembrei de um acontecimento verdadeiro, que ocorreu lá em Riacho das Éguas. O namoro dos meus pais. Pense numa coisa diferente, era o namoro, naquele tempo...
Eu vou contar isso porque o meu amigo aqui, o Sertanejo, me falou que o povo diz que hoje é o dia dos namorados. Repara mesmo... E será que pra namorar é só um dia? Mas menino...Hum!
Me lembrei da conversa de minha mãe, me contando como é que foi o namoro com papai, aqui nesses matos.

Foi lá pelos tantos anos de trinta e tanto. Minha mãe era uma moça já com seus quinze. Era a mais velha das filhas de meu finado avô. O Véio teve filho que só a mulestia. Não tinha o que fazer, de noite, aí tome fazer filho e botar no mundo. Sei que minha mãe era a terceira, dos quinze filhos. Tinham dois rapazes, meus tios João e Antôin, que eram os mais velhos, minha mãe, e depois vinha uma carreira de filhos e filhas, descendo até chegar no décimo quinto, que era tio Zezinho. Olhe... Era João, Antôin, Dorinha, minha mãezinha, Donata, Maria das Dores, Maria Januária, Manézinho, Francisco, Toínha, Galego, Nequinho, Bosco, Terto, Zumira e Zezinho. Esse último, naqueles tempos, devia estar aí com um ano ou dois. Meu pai, primo legítimo de minha mãe, veio das bandas da Cotia, acho que já com as intenções de se achegar nela, pra arrumar namoro, e, como quem não quer nada, já tava hospedado lá na casinha de meu avô Zé Grande.
Apareceu com uma história de rever a família e a cantiga era outra. Foi não foi, foi não foi, quando meu avô dá por vista, percebe que a história era mais quinhentos. Meu pai já tava era trocando conversa com minha mãe na sombrinha dum umbuzeiro, do lado da casa.
_Oxente! Se arrespeite, seu cabra! Ta bulino cum minha fia, agora vai tê qui casá.

Naquele tempo, conversar de longe com uma moça solteira, nas sombras de um umbuzeiro, era uma violação tão grande no mundo, de pudor que o cabra tinha logo era que casar. Acontece que minha mãe já estava era cativada pelo rapaz... Aí era o casamento que eles queriam mesmo.

Meu pai, também, enfrentou seu tio, meu avô e já foi dizendo que havia se afeiçoado de mamãe e queria mesmo era casar com ela. Papai devia ter aí por volta de seus dezoito. Um sertanejo taludo que só, já acostumado à vida dura. O véio, meio cismado com a ideia de casar a filha, acabou permitindo o namorico, mas sabe como é namoro dos anos trinta no mato, né?
Meu pai aqui num tamborete, o véio meu avô no meio, outro lá longe com minha mãe e até o casório, o namoro corria disso a pior. O contato físico dos namorados era coisa rara. Pegar na mão? Vixi! Nem podia muito... E era meu avô com os ouvidos na conversa dos dois. Se a prosa caminhasse pra certos rumos, o véio carrancava logo. Pigarrava e olhava feio pra meu pai, que logo entendia a mensagem e mudava o rumo da conversa, pra agradar o sogro. Se o véio saísse pra beber água ou fosse no mato fazer as necessidades, o casal aproveitava pra tirar os atrasos do namoro e da prosa. Minha mãe conta que, pra pegar na mão de meu pai, demorou quase três meses de namoro.
As viagens de meu pai, lá pra Riacho das Éguas passaram a ser maiores. Se danava de lá de Cotia, no lombo dum jumento, numa carreira da gota, pra vencer ligeiro as 7 léguas de viagem, que era pra estar mais tempo no namoro. Minha mãe, toda jeitosa, sempre aparecia com uma costurinha, um lencinho, uma cirola que fazia pra meu pai. Papai também, aqui e acolá, chegava com um retalhozinho de chita, que buscava na feira da cidade, que era pra minha mãe costurar um vestidinho pra ela. O namoro ia caminhando. Na realidade, acho que meu pai namorava mais era com meu finado avô, porque o véio não saia do pé dos dois e vivia repreendendo os movimentos errados dos dois.

Só sei que nisso, marcaram logo o dia do casório. Se avexaram pra juntar os panos e pronto. No dia do casório, depois da cerimônia e dos festejos, da buchada e do forró, quase que os noivos não esperam o fim da festa, pra poderem pegar fogo. A lua de mel foi numa casinha de taipa, ao lado da casa de meu avô, os dois pegando fogo dentro de uma rede. Enfim o amor pôde ser saciado, os noivos juntaram a fome com a vontade de comer e haja chêro no cangote... Haja fungado e tome amor, e a rede não cabia tanto chamego, meu Deus...
Arranjaram logo uma casinha arrumadinha em Riacho das Éguas, muito trabalho na roça, na lida do gado, mas também, muito amor e carinho, entre meu pai e minha mãe.Tiveram umas belezuras de filhos, ajudaram a povoar o mundo e fizeram um cabra que nem eu, todo prosa, que é pra viver contando histórias pra quem quiser ouvir...


Um abraço, meu amigos e amigas.


Lula Pacífico

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domingo, 7 de junho de 2009

A Rifa da Vaca



A Rifa da Vaca


Numa época em que as festas de São João se aproximam, com toda essa magia do cenário sertanejo aparecendo em tudo que é televisão, vou rebuscar na cachola aqui uma história que aconteceu em Riacho das Éguas.

Era um período igualzinho a esse, tempo de preparação das festas da cidade, arrumação dos arraiá, preparação das colheitas do milho, para os pratos típicos. Nisso, o vigário estava as tantas com os ajustes da quermesse. Como os recursos eram poucos, o prefeito tendo que se desdobrar para fazer render a verba da prefeitura, o vigário tinha que usar de muita artimanha para a festa sair. Puxa daqui, puxa dalí, depois que catar as contribuições de toda a comunidade riachoeguence, não vendo outra solução, aceitou a dica de um dos moradores e decidiu fazer a rifa de uma vaca. O coronel Firmino, cheio de propriedades e de boas vontades, doou a mimosa e estava feita a promoção. Uma vaca bem gorda, alimentada à ração, leiteira que só a muléstia, era um sorteio desejado por todo cristão que morava na cidade.

Assim, enquanto não chegava o dia, lá se iam vigário, sacristãos e coroinhas pelas portas, porteiras e cancelas, para oferecerem o bilhetinho da rifa. Bilhete aqui, bilhete ali. Confesso que eu sonhei umas duas vezes ganhando aquela vacona gorda e leiteira. No adiantado dos dias, já pertinho de acontecerem as festanças da roça, algo perturbador alvoroçou o povo . Estando já tudo preparado, o sanfoneiro, trianglista e zabumbeiro todos contratados e acertados, as bandeirinhas penduradas, a lenha das fogueiras empilhada, o milho descascado, o pau de sebo enfiado na terra, algo acontece e a cidade toda entra em pânico, inclusive eu, que devo ter comprado uns cinco ou seis bilhetes, na ânsia do prêmio. A vaca sumiu.

O vigário se aperreou logo. Se tivesse cabelo, teria arrancado tudinho, no desespero.
O problema é que, desde quando o coronel havia doado a bichinha, ela passou a ficar num cercadozinho atrás da igreja, que era pra os moradores, quando fossem às missas domingueiras, cobiçassem a bendita premiação. Não deu outra. Algum esperto, sabe-se lá quem, aproveitou a ocupação de todo mundo nos preparados das festas juninas e da quermesse e levou a vaca.

Todo mundo entrou na dança de procurar a leiteira, mas, a busca "deu com os burro n'água". Nenhuma pista da vaca nem do larápio.
Como não se achava nenhum sinal da vaca nem do ladrão, o vigário queria devolver o dinheiro da população contrariada de Riacho das Éguas, quando o Coronel, muito generoso, interviu:


_Calma meu povo! Vão-se as vacas e ficam-se as pontas. Para que a festa corra bem, sem ninguém aqui ser prejudicado, eu vou doar um bode, para servir de premiação da rifa. Não é como a vaca, mas também é melhor que nada.


Nunca soubemos quem foi o ladrão. A festa correu as maravilhas. Um felizardo, que nem me lembro quem foi, ganhou a porqueira do bode no sorteio. Ninguém nunca soube que fim levou a chifruda, mas o povo de Riacho das Éguas nunca mais vai esquecer do dia que a vaca da rifa foi pro brejo.



Um abração desse sertanejo...


Lula Pacífico.

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quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Jumento da Prefeitura


Olá minha gente.
Espero que vocês se encontrem com saúde.
Porque eu também estou. O ar puro que o mato oferece é melhor e muito do que as baforadas de poluição da cidade. Quem quiser ter saúde, venha aqui pra o sertão, respirar o ar fresco, sentir o cheiro de bosta de vaca, beber o leite trazido do curral, quentinho...

Mais uma vez, passando aqui pela roça do meu confrade Sertanejo, não resisti em contar mais uma das histórias da minha Riacho das Éguas.
O Jumento da Prefeitura

Isso aconteceu lá por volta dos anos oitenta. Riacho das Éguas nem sabia o diacho era carro, nessa vida. Foi também um tempo agoniado. Uma seca lascada. Um prefeito que teve lá, para fazer bonito com seus eleitores, pois já se aproximava de tempo de eleição de novo, decidiu fazer uma coisa que, pra ele era a ideia mais extraordinária do mundo. Resolveu contratar um jumento que ficaria a disposição dos cidadãos de Riacho das Éguas, como se fosse um carro, pra servir de veículo pra os que precisassem de um deslocamento urgente. Primeiro passo foi percorrer o vilarejo atrás de um animal que fosse, além de forçudo e bem apresentável, também apresentasse uma certa inteligência, pois o cargo exigia perícia, destreza e sabedoria.
O pior é que, de tanto procurar, achou. No nosso lugar tinha um jumento, que, de tanto viajar com seu dono para as cidades e estados carregando as mercadorias desse almocreve, Seu Luduvino, também foi adquirindo sabedoria na matemática, no português, na geografia, e chegava ao ponto, as vezes do jumento saber mais conta dos dinheiros do dono do que o próprio homem.
Não teve outra. Foi contratado na mesma hora. Em uma semana, feliz com o emprego do seu jumento, o homem, que não queria mais ser almocreve e levar e trazer mercadorias, pra cima e pra baixo, já queria carteira assinada. Lá se vai o prefeito fichar o jumento. Agora o jumento, que antes trabalhava de domingo a domingo, resolveu que precisava de pelo menos um dia de folga. Aí ficou sendo o domingo, como a maioria dos outros funcionários da prefeitura. Mas ainda, pra não perder o costume, aumentavam sua carga-horária no sábado. Era um cargo muito importante, essencial. Necessitava de horas extras.
Aí, reparem bem. Todo santo dia era aquele negócio. O jumento era solicitado por todo mundo do lugar. Uns queria que o transporte da prefeitura os levasse para os afazeres da roça, outros montavam para irem a um forró, outros, às vezes até dois de uma vez, se sentavam no jumento e pediam pra ele lavar pra lua de mel em alguma roça vizinha. E o jumento não tinha descanso.
As cenas se repetiam...

_Seu Luduvino... Mãe mandou dizer que é pra o jumento ir pegar ela lá na feira, meio dia em ponto.

Ou então:

_Cumpade Luduvino, vamos com o transporte pra levar minha muié lá na partêra, pá modi tê um fío, que ela já ta quais parino...

Certo dia, já cansado dessa labuta, o jumento decidiu fazer manha com os passageiros. Foram reclamar ao prefeito que o transporte estava quebrado ou com defeito. O prefeito deu uma reformada na cela, nas correias, comprou estribo novo, mandou dar um banho no veículo, dar um trato, comprou capim e milho novo e, para que o bichinho se alegrasse, aumentou o salário. Mas não teve jeito. O coitado do dono, o Luduvino, que era o motorista do seu jumento até tentou remediar, diminuindo as cargas, passageiros e viagens do pobre do funcionário. O caso era sério. O jumento já tava esgotado. Queria a aposentadoria da prefeitura, mas não queriam lhe dar.
Até que um dia, revoltado com o prefeito seu patrão, que não o queria entender, o jumento, inteligente como a peste, desamarrou-se de uma quixabeira em que estava, abriu a cancela de seu curral e ganhou o mundo. Até hoje o povo de Riacho das Éguas não sabe o paradeiro daquele jumento. O coitado do dono até que tentou assumir seu lugar, para não perder o cargo na prefeitura, mas não aguentou o rojão. E também, já sendo tempo da modernidade chegar, logo logo o prefeito comprou um veículo à gasolina, pra ajudar o povo. Depois que o povo acostumou com aquilo e entendeu que não era coisa do outro mundo, foi aquela felicidade. A Rural nova zerada não fazia manha de jeito nenhum.

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