
Presados e presadas...
Hoje recebi um presente, enviado pelo amigo Angelo Roncalli, de Juazeiro da Bahia que me encantou por demais.
É um CD magnífico, de um grupo regional com músicas muito legais, que acabou de chegar pelos correios. VIVAS!!!
São os Matingueiros

Já virei fã.
Para vermos um pouquinho da genialidade do grupo, segue a música "quero ir pra feira", que traduz demais o sentido do sertanejo, que encontra uma infinidade de surtimentos no dia de feira da roça.
Quem quiser baixar o
MP3 dessa música, clique
aqui.
Quero ir pra feira
(Pito mariano/Wagner miranda - Participação de Dominguinhos)
Lá na banca de seu Floro vende pião e ponteira,
Tem liga de baliadeira, colher de mexer angu,
espingarda soca-soca, polva, chumbo e espoleta,
Tem apito de madeira d'agente chamar nambú,
Bola de gude, ratoeira, tampa de tampar papeiro,
Camisa candeeiro, cinturão de couro cru, alpargata de arrasto,
Gaiola pra papagaio, faca, peixeira, balaio e anzol de pegar pacu.
Quero ir pra feira, quero passear,Lá na feira tem tudo pra se comprarVende pedra pra fofueira, mamadeira e canivete, pinico, foice,
Enxada, navalha, serra e serrote, imagem de padim-ciço, pedra-pome,
Pá e pote, corda, chocalho e chicote, tabaco pra espirrar,
Espelho, pente e pulseira, boneca,pinto e suvela, bacia, colcha,
Gamela, tem couro de caititu, tanta coisa nessa feira que a gente
Não se acostuma, um macaco que bebe e fuma e um bich feio que nem tu.
Na lona do curandeiro tem banha de bacalhau, pomada pra dor de dente
Que passa a dor de repente, um óleo pra reumatismo, mucumã
Pra hemorróida e uma tora de jibóia botando medo na gente,
Onde tem comidoria, tem doce de buriti, rapadura, tapioca, broa,
Pamonha e cocada, angu doce, panelada, tem bode, tem cabeçada,
Mata fome, tem buchada e arroz feito no piquí
Pra quem quer encher o bucho tem pão doce e goiabada,
Caldo de cana, rabada, tripa assada e jabá, todo tipo de feijão,
Tem de arranque, mulatinho, preto, de corda e fradinho, farinha pra acompanhar,
Tem cominho e nuscada e todo o tipo de tempero, vende pimenta de cheiro,
Cebolinha e coloral, tem cachaça de cabeça e conhaque de alcatrão, um bêbo deitado no chão
E outro em pé passando mal.
E de um lado pro outro a freguesada se esbarrando,
Tem um véio amarrando um jegue no pé de juá,
Uma manina rebolando com um vestido de chita,
Usando um laço de fita no cabelo sarará,
Um aleijado cantador que vende livros de cordel,
Um cego rezando pro céu pedindo a Deus por caridade,
O povo de outros vilarejos não acabam de chegar,
A feira é o melhor lugar que tem aqui nessa cidade.
Saudações, compadres e comadres...
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