domingo, 19 de julho de 2009

Memórias de uma Buchada

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Caros amigos e caras amigas que vêm sempre visitar essa casinha e ler aqui algumas histórias.
Memórias de uma buchada

Passando por aqui pela casa do meu amigo Sertanejo, ao ser muito bem municiado do bom, cheiroso e forte cafezinho do sertão, me lembrei agora de uma história que um compadre me contou e aconteceu com ele mesmo.

Essas histórias de aperreio, quem nunca passou e não teria uma pra contar, né?
Pois bem. Essa aconteceu há uns tempos e meu amigo, ao me relatar outro dia lá em Riacho das Éguas, me fez prometer que eu não contaria a seu ninguém. Tomara que ele não ande lendo essas historinhas.

Numa ocasião, na casa da sogra, o compadre Calixto se empapuçou com uma buchada muito bem preparada e não economizou no pirão. Sentou boca no pirãozinho e comeu chega suou. Terminado o banquete, como é de costume na roça, o compadre foi logo deitando na rede pra poder passar um pouco do fastio que a comilança lhe causou.

Pouquinho pouquinho, a comida começou o rebuliço, no bucho do coitado. ROIN! ROIN! ROIN! Só se ouvia tripa se remexer. ROIN! ROIN! ROIN!
O compadre estava deitadinho na sala, com uma rede atravessada, e alguns convidados da anfitriã sua sogra, conversavam e tomavam um cafezinho, também na salinha apertada. Fizeram uma rodilha de tamboretes e proseavam baixo, enquanto o compadre aproveitava a sesta.

Na ocasião do remelexo das tripas do pobre do Calixto, a velha acabava de tecer uns comentários amorosos de como o genro era trabalhador, honesto e educado.
Aquele som engraçado varou a salinha apertada e ecoou. As senhoras, umas que vieram da capital e, por algum parentesco ou gentileza, foram de pronto convidadas a conhecer a casa da mulher e a famosa buchada de bode da dona Firminda, começaram a dar risinhos disfarçados e, de pronto e um tanto encabulada, a velha tentou remediar o acontecido, brincou dizendo que o bode tava vivo, no genrinho.

O pobre do Calixto, nem nem. Tava lá no seu soninho e nem sequer atinou pra arruaça que seu bicho fazia. ROIN! ROIN! ROIN!
Com alguns minutos depois, a barriga do compadre achou, de imediato, de cuidar de fazer logo as eliminações necessárias. FOIN!
Sabe aquelas bufinhas ligeiras e fedorentinhas? Coitado. Mal sabia que acabava de empestear a salinha apertada com um fedor desgraçado. As senhoras não sabiam se riam, se tampavam o nariz, se corriam, e acabaram ficando sem ação. Cheiraram a bufa toda. De imediato, como que pra disfarçar o “pequeno” deslize do genro, a velha gritou, batendo pés no chão para um pobre dum cachorro magrelo que se espichava embaixo de uma bancadinha na saleta.

_ Sai, fio da peste. Sai pra lá, cachorro.


O coitado saiu mesmo, mas sem entender a explosão repentina da dona, caminhou um pouquinho adiante de onde deitara e, rodou, rodou e espichou-se mas pra lá, bem debaixo da rede onde jazia o meu compadre, no seu sono de pedra.
Com pouco, lá vem o bucho do meu compadre trabalhar de novo. Dessa vez foi um peido bem zuadento. PROOOOOOOC!

_ Sai, cachorro da peste. Gritou de novo a velha, tentando disfarçar a desgraceira do genro peidão.

O magrelo, dessa vez, só levantou uma orelha e um meio olho e deu um grunhido baixo, como quem dizia: “Que diabo essa veia tá querendo?”

As visitas agora, com o semblante horrorizado, sem jeito, todas viam a cena caladas. A pobre da Dona Firminda, querendo amenizar, puxava assunto e mais assunto e tentava tapear.

PROC! PROC! PROOOOOOOOOOOOOOOOOOOC!


Pronto. Compadre Calixto desatou a peidar auto e, dessa vez acordou assustado com o barulho.
Nessa hora, ao olhar ao redor e ver a platéia, branco de vergonha pela situação embaraçosa, olhou pra sogra, que já tava azul e queria se entocar num buraco.

Foi quando a velha, já desmantelada com aquela situação, gritou.

_ SAI DAÍ, CACHORRO... SAI DAÍ MISERÁVI, SENÃO ESSE PESTE DESSE PEIDÃO AÍ TE CAGA...

Lula Pacífico.
Saudações, meus queridos e queridas...

6 comentários :

  1. PROOOOOC!... Hilário, Ru'bs, mas nojentinho. [risos]Acabei de almoçar, véio. Um cuzcuzinho todo incrementado, porquê nem de buchada eu gosto!

    Ah... Não sei se o senhor viu, mas tem uma história de perrengue alimentar lá no Ponto, chamada "Com a foto preciso dizer do que se trata?".

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Até o ROIN ainda suporta-se, mas depois que passa pro FOIN e pro PROC... ninguém merece!! (rs)

    Massa a historinha, Rubinho!! Abraço!!

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  4. COMO RI!

    COITADO do genro, não tinha culpa do rebuliço da buchada. E a sogra ainda se compadeceu, apesar de se enfezar no fim! Duvido que depois dessa ela convida o rapaz de novo! rs

    Sempre fantástico, hein?
    Abraços, e feliz dia do amigo!

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  5. eurialto.com!!

    muiito bom , a cada dia se superando hein Rubiinho!

    gostei muito de te conhecer , só esqueci de pedir um autógrafOo..

    haha!


    você só tende a melhorar mais e mais...


    Parabéens!

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